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MMXIV

01/01/2014

sol nascerEu vi o Sol de 2014 nascer na minha praia, no quintal da minha casa onde me sinto tão bem. Estava lá, no momento exato e num lugar que me energiza pela despretensiosa obra do Destino. Deixei fluir e aconteceu o que queria e dizia calado.

Estava ali contemplando a nova Luz como a coroação de um Réveillon simplesmente maravilhoso na casa de Daniel, Fernanda e seus filhos Isadora e Dimitri ao lado de pessoas tão queridas e de almas translúcidas como tia Célia, Mathieu [e as filhas Charlotte, Amália], Rogerão, Nara [e as filhas Alice e Laurinha], Pablito, Camila, maestro André e a figuraça de sua mãe. Gente que se quer bem, faz o bem e que se confraternizou entre desejos bons. Sou feliz demais de muito por ter tido o privilégio de compartilhar o alvorecer de um novo ciclo na companhia de pessoas tão amorosas.

Agradecido a todas e cada uma dessas pessoas por compartilharmos o momento único e memorável.

Valews aê à praia de Pium e ao Sol.

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Ousar sonhar, ousar viver.

nova agenda nacional

03/11/2013

Do mesmo jeito que os Estados cristianizados adotaram as datas comemorativas tradicionais “pagãs” e “naturalizaram” suas significações [nascimento de Jesus, por exemplo]; do mesmo jeito que milênios depois o capitalismos fez a mesma coisa para esquentar o comércio; do mesmo jeito que povos colonizados adotam as datas de suas metrópoles para, entre outras motivações, se sentiram pertencentes à Corte, proliferam tardiamente [é, porque o Império ianque tá ruindo] datas norteamericanas [como o Dia de Ação de Graças e Halloween] vai aí minha singela contribuição para que a galerinha descolada se ligue nas datas do Novo Império Chinês que silenciosamente se aproxima [as datas comemorativas na China são móveis, portanto mudam de dia a cada ano]:
1ª semana de fevereiro: Ano Novo. Cada ano chinês é dedicado a um dos 12 animais que atenderam ao chamamento de Buda, para uma reunião, na seguinte ordem: Rato, búfalo, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cachorro e javali.
1ª semana de abril: Festival Ching Ming [Suprema Luz], de homenagem aos antepassados.
1ª semana junho: Festival do Barco do Dragão.
2ª semana de setembro: Festival da Lua [pela união e abundância], celebrado à noite e contemplando a Lua cheia.

pela estrada

29/10/2013

pela estrada

na estrada com o compadre Mathieu Duvignaud ["microdocumentando" a busca dele por artistas do RN para ocupar espaços de exibição na Pinacoteca] e nos deparamos com essa frase [já conhecida, mas a primeira vez que vejo "ao vivo"] num caminhão. Na verdade eu viajo porque amo e volto porque preciso [mas bateu a melancolia e queria ter alguém pra ter o porquê de ter que voltar...]

ideologia

30/08/2013

Já se foi o tempo em que eu ficava triste quando percebia a conveniência na práxis de uma pessoa, quando tal pessoa mudava de atitude para se adequar a uma nova [novidade que era para mim até então] relação de pertencimento [principalmente de trabalho]. Pessoas cujo discurso florido passava a destoar da prática, mas que mesmo assim mantinha o discurso.

Hoje não mais.

Sei da complexidade que envolve as escolhas. Mas são escolhas.

Aprendi que não é certo se afastar da pessoa, nem achincalhar. Se é uma pessoa querida não me deixa de ser querida, mas definitivamente sou um ser ideológico e não consigo manter a mesma chama que antes. Não tem mesmo, infelizmente.

Pago um preço altíssimo para me manter no fio da navalha da consciência. É por isso que não tenho muito respeito por quem negocia ideologia.

novidades

23/08/2013

Eu não posso deixar de escrever no meu blog querido. Esse endereço é muito especial pra mim, pois que consegui registra-lo com o nome de um dos livros queridos de um de meus escritores preferidos: os vagabundos iluminados [Dharma Bums], do Jack Kerouac.

E gosto de voltar a escrever aqui quando canso da esquizofrenia do facebook [onde nos expomos de forma frenética e viciante] e do fightwitter [aquilo é um ringue de briga de galo, também viciante...mas cada vez menos].

Muita coisa acontece e que gostaria de escrever, opinar. Mas não faço nem no FB nem no Twitter. E o blog sempre foi o espaço do “meu querido diário” por excelência. Aqui posso escrever mais a vontade, porque não tenho nenhum leitor fiel e as pessoas vem aqui de vez em quase quando. Então que é como uma terapia virtual.

Voltei a estudar. Tô feliz por isso. Sempre gostei muito de estudar, de aprender. De aprender é o correto, porque eu gosto muito mesmo de aprender algo novo. Estudar é um método que nunca gostei, porque tenho facilidade em aprender. Então que sempre me foi muito enfadonho uma atitude de estudar, do ritual clássico de se debruçar sobre livros.

Mas quero demais e muito mesmo isso. E devo o incentivo a minha mãe e minha sobrinha Juliana. já tive umas três oportunidades de fazer pós-graduação, e sempre desisti. Agora fui admitido no programa que queria, em comunicação, e pretendo estudar o cinema colaborativo com ênfase no Cinema Processo, que criei em 2006.

E como eu costumava fazer na graduação, quero assumir o compromisso comigo mesmo de fazer pelo menos um curta em cada disciplina. E essa semana já gravei o primeiro. Um documentário descritivo de um seminário que participei. Foi bom na medida certa participar. E tive contato com um professor que descreveu o trabalho compartilhado e fiz a relação imediata com o Cinema Processo. Troquei uma idéia com esse professor e ganhei um livro organizado por ele. Quem não chora não mama.

Quero fazer uns curtas na pós, e ocupar espaço nas mostras acadêmicas de cinema pelo Brasil e exterior. Eu agora quero esse espaço, e acredito mesmo que me é de direito estar nele. E quem me conhece sabe que sou convicto o suficiente da qualidade de meu trabalho criativo. E tô chateado comigo mesmo por negligenciar esses espaços e as inúmeras oportunidades que fiz por merecer e quase sempre desprezo. Não quero mais agir assim.

Agora é seguir firme e não parar nunca mais.

Tô indo amanhã para Alexandria, ajudar Geraldo Cavalcanti com o projeto dele “Nós na Tela”. Vou dar uma palestra sobre realização audiovisual, além de deixar meu equipamento lá. quero aproveitar e conversar com Geraldo da possibilidade de fazermos meu curta O Velho e o Mar [adaptação da obra de Hemingway] lá ou se fazemos em outra cidade.

Faz mais de DEZ ANOS que não realizo um curta e quero fazer esse por vários motivos: mas os principais são exercitar a minha capacidade em transpor pra o filme o que tenho construído no pensamento; e usar o filme como elemento de disparo para percorrer festivais e mostras de cinema e estabelecer contato direto com promotores desses festivais e outros realizadores, com a finalidade de divulgar meu cinema e preparar terreno pra o longa Royal Cinema que vamos realizar em seguida.

O Velho e o Mar é um projeto muito querido. E é o único curta com roteiro meu que quero realizar mesmo! e por isso que tô reunindo esforços pra isso. A idéia surgiu em 2005, numa conversa com o cineasta Vladimir Carvalho lá no Ceará, quando do alto das serras de Quixadá tivemos o vislumbre de que o sertão já havia sido o mar, e da íntima relação entre esses dois universos.

Bom, por ora é isso.

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autonomia

23/08/2013

eu nunca tive filmadora e nem câmera fotográfica.

agora tenho. e já tô filmando…

;)

No Castelinho

19/05/2013

O skatista Bob Burnquist afirmou numa entrevista que “quem trabalha com o que ama é um vagabundo, pois que não trabalha um só minuto na vida” e concordo com ele. Tenho uma vida econômica bem mais difícil do que gostaria que fosse, mas que apesar de tudo é o resultado de escolhas que venho fazendo ao longo do percurso. Mas não tenho do que me queixar, pois que essas mesmas escolhas me levam por caminhos tão prazerosos que legitimam essas decisões com um prazer honroso.

Estou escrevendo do “Castelinho”, um anexo à residência da querida amiga Dominique Pastore, em São Miguel do Gostoso. Vim aqui dar uma palestra sobre Cinema Processo num Ponto de Cultura que ela ajudou a criar com o padre Fábio [esse amigo/irmão de mais de 20 anos de jornada de luta]. Escrevo da janela do chalé com vista para uma mata exuberante e ao som do mar. Isso não é uma situação de “se estar” somente num lugar, mas uma experiência sensorial.

Desde a viagem de vinda [incluindo a palestra propriamente dita, as conversas na porta de saída ao término, a conversa - regada a um bom vinho - na chegada de volta ao “Castelo” e o café da manhã] o papo girou em torno das conquistas nossas como país e pessoas, dos avanços e dos pontos em que precisamos avançar ainda, das lembranças comuns [minhas e de Fábio] dos costumes do Seridó [histórias de butijas, almas penadas, fenômenos ufológicos tão comuns naquela região] e de saber e aprender coisas novas com as novas amizades que vão se construindo aqui.

Nos papos com Fábio relembramos ações conjuntas, como quando ele era secretário estadual dos direitos humanos [em 2003] participei de uma invasão ao seu escritório com um grupo de agricultores [contra os abusos do Banco do Nordeste à época] que trouxemos do sertão em ônibus fretado; da grave de fome que Maurício Anísio fez na sede do INSS; do apoio primordial dele aos ciganos, às profissionais do sexo e outros segmentos da sociedade. Falamos de sua formação pela Teologia da Libertação e sobre textos místico/religiosos, sobre a imensidão de Luz que é Maria, sobre Chico Xavier e principalmente Jesus, o Bróder Mestre!

Reencontrei a belíssima amiga Patrícia Caetano, atriz e militante de Arte. Fiquei realmente espantado e encantado com o leque largo de seu conhecimento, de como está aplicando os aprendizados na educação formal [pois que é professora] e nos vários projetos teatrais que encampa e executa…e de como está de amor novo [como na muzga “olhos nos olhos” do profeta Chico].

Dominique, nossa anfitriã, é uma cerumana especial, doce e delicada. A conheço pouco, mas o suficiente para saber que é do nosso time: do time das pessoas que amam as pessoas livres, cabimentosas e atrevidas. E da mesma forma como se desloca [assim, deslizando] é o seu cuidado com as coisas de sua casa: porcelanas, objetos-símbolos e tudo esmeradamente bem cuidado. Notem que não falei em nenhum momento de ostentação. Isso aqui não há. O de maravilhoso que sobressai nesse lugar aconchegantemente amplo é o carinho entre o ser e as coisas.

Sou imensamente agradecido por isso, por ser quem sou, fazer o que faço e por estar no lugar onde decidi permanecer como campo de deliciosa batalha. “Só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder” diz a música com aplicada sabedoria. O tempo ainda é de semear e cuidar para que venha a colheita.

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