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Marcha das Vadias

09/03/2012

Segunda edição da Marcha das Vadias marca Dia Internacional da Mulher em Natal

Em meio as celebrações do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a segunda edição da Marcha das Vadias será realizada no próximo dia 10, em Ponta Negra, Natal/RN.  A  marcha terá concentração a partir das 14h, na Praça de Ponta Negra/Ponto 6, atrás do Vilarte, e patirá em caminhada em direção ao Morro do Careca.

Embora o título seja inusitado, a ideia é provocar reações contra a cultura que culpabiliza  as vítimas em casos de violência sexual, seja por seu comportamento ou vestimenta e que desencoraja as mulheres a denunciar os crimes. Inspirada em um movimento oriundo na cidade de Toronto e que se espalhou por várias cidades do mundo em 2011, a Marcha das Vadias já foi realizada em Natal em julho de 2011.

Por que ir?

Apesar de termos conquistado algumas vitórias no que se refere à ampliação dos direitos da mulher ao longo da história, nossa sociedade continua produzindo e reproduzindo desigualdades, violências e preconceito de gênero , perpetuando a cultura machista e misógina. No início deste ano, assitimos o debate em torno de estupro em canal televisivo aberto, gerando reflexões e discussões relacionadas ao machismo, também assistimos inúmeros casos de opressão e assassinato de mulheres por seus algozes, também acompanhamos o debate sobre a Lei Maria da Penha,  que contou com a pressão dos movimentos feministas e pró-direitos humanos,  fazendo com que o STF julgasse constituconal. Vitória para as mulheres brasileiras, garantia da democracia. No entando, ainda precisamos de delegacias especializadas que garantam atendimento e encaminhamento adequado aos casos de estupro, proteção e assistência para as vítimas de violência doméstica e políticas de orientação e punição aos homens que praticam abusos contra a vida de milhares de mulheres. Além disso, a Marcha das Vadias tem como pilar o respeito à diversidade, portanto, também aderimos à causa LGBT, público que também sofre com abusos diários marcados pelo padrão social heteronormativo, que tanto oprime e cercea liberdades e direitos das cidadãs e cidadãos.

A Marcha das Vadias Natal defende:

¬ o direito de ir e vir e o direito de existir sem ser vítima da violência.
¬ atendimento de qualidade pelo SUS para todas as pessoas que sofrem violência sexual.
¬ acesso sem burocracia ou protelação ao aborto pelo SUS quando as gravidezes são consequência de um estupro e se esta for a decisão da mulher.
¬ implementação efetiva da Lei Maria da Penha.
¬ melhorias nas Delegacias Especiais de Atendimento às Mulheres.
¬ qualificação das delegacias não especializadas para atender vítimas de violência sexual e doméstica, com capacitação de agentes da segurança pública sobre diversidade sexual.

Serviço

O quê? Marcha das Vadias
Quando? Sábado (10/03)
Onde? Ponto Seis – Ponta Negra (Praça dos Ciclistas, Av. Ponta Negra – Por trás do VILARTE)
Horário? A partir das 14h
O que levar? Irreverência e Indignação, Água e Protetor Solar e Contra Toda Discriminação
Contato? Civone Medeiros – 84 – 9144 1471 / Girlane Machado – 8762-9033

já é carnaval…

17/02/2012
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e como já é carnaval eu deixo aqui pra vocês a oração inicial da “Ópera Coco” que compus e quem sabe quiçá oxalá por ventura talvez eu bote pra moer:

….

A CAIXA DO FIRMAMENTO

 

Quando abriu a caixa do firmamento

Deus notô que faltava alguma coisa

Barba em bode, bucho chêi e giz na loisa

E no êxo da Terra o rolamento

Distacô uma tropa de jumento

Carregado de argüidá de rapadura

Trinta virge em “Gulora nas artura”

Um tonel de cachaça de cabeça

Uma placa dizendo “Arriba ô desça

Deste gango de caninga e luxura”

 

Deu três tempo como prazo de usura

Pra cambada decidi qual o rotêro

Butá orde e retidão lá no putêro

Ô dexá mais uma graxa na fritura

Foi aí que uma fulô de formosura

Levantô a cara no mêi da roda

Berrando e cuspindo “aí é foda,

Já topei na tampa da putaria

Valei-me minha santa Ave Maria

Vô prum convento, que agora tá na moda!”

 

De repente lá do mar desceu a godha

De porquêra, malandrage e catimbó

Deus juntô num saco e deu um nó

E dexô pendurado numa corda

A quadrilha que formara aquela horda

De prefeito, traficante e deputado

Juiz, ministro e adevogado

banquêro, orelhudo e nota-fria

Duas mão de ruindade e milacria

E deu ciênça “O Brasil ta batizado!”

……………..

boa farra!

EZTETYKA DO SONHO 71

11/02/2012

(…)Este congresso em Colúmbia é uma oportunidade que tenho para desenvolver algumas idéias a respeito de arte e revolução. O tema da pobreza está ligado a isto.
As Ciências Sociais informam estatísticas e permitem interpretações sobre a pobreza.
As conclusões dos relatórios dos sistemas capitalistas encaram o homem pobre como um objeto que deve ser alimentado. E nos países socialistas observamos a permanente polêmica entre os profetas da revolução total e os burocratas que tratam o homem como objeto a ser massificado. A maioria dos profetas da revolução total é composta por artistas(…).
Arte revolucionária foi a palavra de ordem no Terceiro Mundo nos anos 60 e continuará a ser nesta década. Acho, porém, que a mudança de muitas condições políticas e mentais exige um desenvolvimento contínuo dos conceitos de arte revolucionária.
Primarismo muitas vezes se confunde com os manifestos ideológicos. O pior inimigo da arte revolucionária é sua mediocridade. Diante da evolução sutil dos conceitos reformistas da ideologia imperialista, o artista deve oferecer respostas revolucionárias capazes de não aceitar, em nenhuma hipótese, as evasivas propostas. E, o que é mais difícil, exige uma precisa identificação do que é arte revolucionária útil ao ativismo político, do que é arte revolucionária lançada na abertura de novas discussões do que é arte revolucionária rejeitada pela esquerda e instrumentalizada pela direita(…).
(…)Uma obra de arte revolucionária deveria não só atuar de modo imediatamente político como também promover a especulação filosófica, criando uma estética do eterno movimento humano rumo à sua integração cósmica.
A existência descontínua desta arte revolucionária no Terceiro Mundo se deve fundamentalmente às repressões do racionalismo.
Os sistemas culturais atuantes, de direita e de esquerda, estão presos a uma razão conservadora. O fracasso das esquerdas no Brasil é resultado deste vício colonizador. A direita pensa segundo a razão da ordem e do desenvolvimento (…). As respostas da esquerda, exemplifico outra vez no Brasil, foram paternalistas em relação ao tema central dos conflitos políticos: as massas pobres.
O Povo é o mito da burguesia.
A razão do povo se converte na razão da burguesia sobre o povo.
(…)A razão de esquerda revela herdeiro da razão revolucionária burguesa européia. A colonização, em tal nível, impossibilita uma ideologia revolucionária integral que teria na arte sua expressão maior, porque somente a arte pode se aproximar do homem na profundidade que o sonho desta compreensão possa permitir.
A ruptura com os racionalismos colonizadores é a única saída.
(…)A revolução é a anti-razão que comunica as tensões e rebeliões do mais irracional de todos os fenômenos que é a pobreza.
Nenhuma estatística pode informar a dimensão da pobreza.
A pobreza é a carga autodestrutiva máxima de cada homem e repercute psiquicamente de tal forma que este pobre se converte num animal de duas cabeças: uma é fatalista e submissa à razão que o explora como escravo. A outra, na medida em que o pobre não pode explicar o absurdo de sua própria pobreza, é naturalmente mística.
A razão dominadora classifica o misticismo de irracionalista e o reprime à bala. Para ela tudo que é irracional deve ser destruído, seja a mística religiosa, seja a mística política. A revolução, como possessão do homem que lança sua vida rumo à idéia, é o mais alto astral do misticismo. As revoluções fracassam quando esta possessão não é total (…),quando, ainda acionado pela razão burguesa, método e ideologia se confundem a tal ponto que paralisam as transações da luta.
Na medida em que a desrazão planeja as revoluções a razão planeja a repressão. (…)
Há que tocar, pela comunhão, o ponto vital da pobreza que é seu misticismo. Este misticismo é a única linguagem que transcende ao esquema irracional da opressão. A revolução é uma mágica porque é o imprevisto dentro da razão dominadora. No máximo é vista como uma possibilidade compreensível(…).
O irracionalismo liberador é a mais forte arma do revolucionário. E a liberação, mesmo nos encontros da violência provocada pelo sistema, significa sempre negar a violência em nome de uma comunidade fundada pelo sentido do amor ilimitado entre os homens. Este amor nada tem a ver com o humanismo tradicional, símbolo da boa consciência dominadora.
As raízes índias e negras do povo latino-americano devem ser compreendidas como única força desenvolvida deste continente. Nossas classes médias e burguesias são caricaturas decadentes das sociedades colonizadoras.
A cultura popular não é o que se chama tecnicamente de folclore, mas a linguagem popular de permanente rebelião histórica.
O encontro dos revolucionários desligados da razão burguesa com as estruturas mais significativas desta cultura popular será a primeira configuração de um novo significado revolucionário.
O sonho é o único direito que não se pode proibir.
(…)Hoje recuso falar em qualquer estética. A plena vivência não pode se sujeitar a conceitos filosóficos. Arte revolucionária deve ser uma mágica capaz de enfeitiçar o homem a tal ponto que ele não mais suporte viver nesta realidade absurda.
Borges, superando esta realidade, escreveu as mais liberadoras irrealidades de nosso tempo. Sua estética é a do sonho. Para mim é uma iluminação espiritual que contribuiu para dilatar a minha sensibilidade afro-índia na direção dos mitos originais da minha raça. Esta raça, pobre e aparentemente sem destino, elabora na mística seu momento de liberdade. Os Deuses Afro-índios negarão a mística colonizadora do catolicismo, que é feitiçaria da repressão e da redenção moral dos ricos.
Não justifico nem explico meu sonho porque ele nasce de uma intimidade cada vez maior com o tema dos meus filmes, sentido natural de minha vida.

Glauber Rocha
Columbia University – New York
Janeiro de 1971

tudo de novo

31/12/2011
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Buca Bay - Fiji Island

Estou limpo, de roupa limpa, alimentado, com saúde e no aconchego de minha morada. É noite que antecede o próximo ano, 2012. Gostaria de enviar minhas mais sinceras e suficientes emanações de bemquerência e esperança para todas as milhões de pessoas que, neste fatal momento, encontram-se numa situação inversa a minha [próximas ou distantes geograficamente] e que padecem sob o insuportável peso do desespero. Sei que não é muito, mas quero crer que possa ser uma contribuição válida. Sou dos que tem o privilégio de ter conseguido perceber a indignação como qualidade e que optou por essa vertente de sentimento e atitude. Sei que o que fiz e faço é muito pouco, mas quero crer que posso sempre me comprometer em melhorar. Trabalho incessantemente em obter as condições objetivas e práticas para a realização do que me impus como missão: contar histórias através do cinema. E tenho a convicção de que as histórias que devo contar são aquelas que tenham o potencial de despertar e/ou reforçar nos demais a faceta da indignação e da solidariedade consequente. Que sirvam para entreter também, mas sempre na perspectiva do valor artístico e humanitário. Eu não creio na humanidade como uma espécie boa por natureza [não mais], mas creio profundamente em pessoas que valem por grupos e gerações. Desejo com sinceridade que no novo ciclo que se inicia cada um consiga canalizar as energias que nos circundem [as deste planeta e as que viajam pelo espaço e se chocam conosco] em benefício da vida.

Réquiem para (Face)Buca Dantas

26/12/2011
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estradeiras[os]

quem me conhece sabe que sou dos “juizo agoniado” e quando gosto de algo fico [de fato] fissurado e priorizo com força. com o facebook foi assim e tenho filmes pra fazer que requerem minha atenção plena. é que eu simplesmente não consigo deixar uma pergunta sem resposta, e ficava ansioso pensando que as pessoas estariam fazendo contato comigo pelo FB e eu tinha que a todo instante verificar. até que ontem a noite dei um basta nisso, pois que tenho e-mail público. aos que compartilhavam o perfil comigo dedico este texto [que dá titulo a esse post] que o bróder Sando Fortunato dedicou a minha morte virtual:

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Acabo de saber do passamento feicebuquiano de meu amigo BUCA DANTAS. Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino nas redes sociais, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre.

Morreu Buca Dantas e foi épico! No Orkut, morreu e morreu e morreu um sem número de vezes, provando que existe vida e mais morte após a morte virtual. De alma penada vagando por bytes escuros, ressurgia como uma fênix eletrônica e pedia: “Me adiciona aí de novo.” E de novo e de novo e de novo…

Chegou a derradeira hora de Buca nos domínios do Facebook. Extinguiram-se seus dias em pleno Natal. Quando a luz retorna à terra, meu amigo se libertou das amarras desse mundo, dos gradis que cercam a liberdade de um espírito que anseia por liberdade. Existisse um CVVV, um Centro de Valorização da Vida Virtual, e casos assim poderiam ser evitados. “CVVV, boa noite! Calma, meu amigo, a vida virtual foi o maior dom que Zuckerberg nos deu…”

Vai, Buca! Onde quer que você se encontre – no Twitter (ainda?!) ou no bar mais próximo – vai em paz. Só não me peça para adicioná-lo outra vez quando voltar, certo?

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Pilares da criação

11/12/2011

 Esta é uma das fotos que mais me impressionou na vida.
É imensa, sábia, ancestral. Quando a vi passei dias conectado com o espaço profundo, imaginando diálogos com algum ser inteligente que poderia estar em algum lugar que não o planeta Terra. É que desde adolescente acredito que exista alguém, que habite outro planeta, fazendo a mesma coisa: tentando se comunicar simplesmente, sem o auxílio da tecnologia.
Nós humanos já tivemos [e certamente ainda desenvolveremos] habilidades sensoriais que encontram-se “adormecidas” por inoperância. Ainda estão aqui, aí, à disposição de quem se aventurar a explorar. É como ver, ouvir. Sentidos que foram cedendo espaço para os que atualmente reconhecemos e usamos. Um indício da lógica desse raciocínio está no fato de pessoas cegas [por exemplo] desenvolverem outras habilidades de reconhecimento e interação.
Os “pilares da criação” fizeram eu me sentir mais humano, mais universal. É mais uma prova da exuberância da vida, da possibilidade de o Universo criar incessantemente, de demonstrar sua pujança e simplicidade. Tudo que existe é extremamente simples, e simples são as mais lindas e sólidas idéias e realizações. Premissas básicas, materiais básicos e finalidades básicas. O primário regendo a sinfonia da complexidade.
Quando vejo essa fotografia eu sei que é uma imagem de algo que provavelmente não exista mais da forma como se apresenta. Milhares de anos nos separam. Nesse momento a nossa humanidade estava codificando os alfabetos, elaborando os primeiros cálculos e iniciando a construção das grandes pirâmides. É uma viagem no tempo que podemos fazer. Basta nos transportar para aquele espaço [imaginariamente] e fazermos o caminho de volta. Veremos o nascimento de nossa civilização.
Somos uma espécie capaz dos extremos. Desde o amor até a indiferença [pois que, para mim, são os extremos/limite]. Produzimos alimento para o dobro de habitantes do planeta, enquanto permitimos que dois terços agonizem de fome. Somos capazes de dar a vida por outra pessoa incondicionalmente ao mesmo tempo que as escravizamos das formas mais hediondas e imperdoáveis. Somos capazes da música [a música, que coisa mais linda!!!] e do escárnio, do abraço e da solidão, do riso e da humilhação.
Sempre que recordo os “pilares da criação”, como agora, fico apaixonado pela espécie humana, pelo que existe no nosso mundo fruto do esforço quase impossível de nações inteiras. Sei que nesse momento milhões de seres humanos estão padecendo sob o insustentável peso da miséria absoluta. E é pra essas pessoas que eu diariamente dedico minha criatividade, minha determinação em sonhar e minha esperança sem limite.

Go lightly on the ground

10/10/2011

Estradeiros,
Como falei no post anterior, estou às voltas com a realização de minha primeira instalação visual, All_Steps. Interessante como essa experiência me fez perceber o quanto eu estive hiperocupado com necessidades que não existiam antes, como por exemplo estar conectado tempo integral com o twitter e o facebook.


São ótimas criações, que nos permite estar em sintonia com o que se passa fora do mainstream. Mas  no meu caso, cujo trabalho se alimenta de informação, essa tarefa de permanecer incessantemente conectado ao mundo virtual estava empobrecendo minha percepção da realidade. E até de vivenciar a experiência física.
Claro que não precisa chegar ao extremo de me recusar a usa-las, mas percebi que tenho que respirar oxigênio novamente. Portanto, vou dar um tempo pra aquelas bandas e visitar mais essa nossa estrada.
Aqui não é um diário, mas um caderno de notas de viagem. Nele exponho minhas impressões sobre o que vejo, ouço e sinto sob o aspecto da arte.
Vamo que vamo e até outra hora.

por enquanto fiquem com essa interpretação de It Ain’t Me Babe por Joan Baez [como é que pode uma mulher ter nascido tão massa desse jeito, rapá?]

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