Pilares da criação
Esta é uma das fotos que mais me impressionou na vida.
É imensa, sábia, ancestral. Quando a vi passei dias conectado com o espaço profundo, imaginando diálogos com algum ser inteligente que poderia estar em algum lugar que não o planeta Terra. É que desde adolescente acredito que exista alguém, que habite outro planeta, fazendo a mesma coisa: tentando se comunicar simplesmente, sem o auxílio da tecnologia.
Nós humanos já tivemos [e certamente ainda desenvolveremos] habilidades sensoriais que encontram-se “adormecidas” por inoperância. Ainda estão aqui, aí, à disposição de quem se aventurar a explorar. É como ver, ouvir. Sentidos que foram cedendo espaço para os que atualmente reconhecemos e usamos. Um indício da lógica desse raciocínio está no fato de pessoas cegas [por exemplo] desenvolverem outras habilidades de reconhecimento e interação.
Os “pilares da criação” fizeram eu me sentir mais humano, mais universal. É mais uma prova da exuberância da vida, da possibilidade de o Universo criar incessantemente, de demonstrar sua pujança e simplicidade. Tudo que existe é extremamente simples, e simples são as mais lindas e sólidas idéias e realizações. Premissas básicas, materiais básicos e finalidades básicas. O primário regendo a sinfonia da complexidade.
Quando vejo essa fotografia eu sei que é uma imagem de algo que provavelmente não exista mais da forma como se apresenta. Milhares de anos nos separam. Nesse momento a nossa humanidade estava codificando os alfabetos, elaborando os primeiros cálculos e iniciando a construção das grandes pirâmides. É uma viagem no tempo que podemos fazer. Basta nos transportar para aquele espaço [imaginariamente] e fazermos o caminho de volta. Veremos o nascimento de nossa civilização.
Somos uma espécie capaz dos extremos. Desde o amor até a indiferença [pois que, para mim, são os extremos/limite]. Produzimos alimento para o dobro de habitantes do planeta, enquanto permitimos que dois terços agonizem de fome. Somos capazes de dar a vida por outra pessoa incondicionalmente ao mesmo tempo que as escravizamos das formas mais hediondas e imperdoáveis. Somos capazes da música [a música, que coisa mais linda!!!] e do escárnio, do abraço e da solidão, do riso e da humilhação.
Sempre que recordo os “pilares da criação”, como agora, fico apaixonado pela espécie humana, pelo que existe no nosso mundo fruto do esforço quase impossível de nações inteiras. Sei que nesse momento milhões de seres humanos estão padecendo sob o insustentável peso da miséria absoluta. E é pra essas pessoas que eu diariamente dedico minha criatividade, minha determinação em sonhar e minha esperança sem limite.
uau. é isso.