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sobre motivação

04/05/2015

A primeira pessoa que eu vi como a figura mítica do herói foi o boxeador Muhammad Ali. Desde que me lembro fui apaixonado por ele, pela beleza lutando e de como era totalmente diferente dos demais no comportamento. Fui atraído por sua força gravitacional de forma instintiva e não sabia que já então eu seria atraído por aquele tipo de pessoa que crê de uma maneira simples e sólida em seus propósitos de humanidade. Somente muitos anos mais tarde tive consciência de que o próprio nome que Ali tomou para si foi um elemento de luta  contra o racismo e sua afirmação de ícone mundial contra as mazelas da discriminação. Ele alega que seu nome de batismo era uma afirmação da escravidão e o recusou, pagando um preço caríssimo por isso e até hoje pouquíssimas pessoas o compreendem. Ali continua sendo o meu mais querido e significativo herói, o “Rei do Mundo” como ele afirmou após uma luta e que James Cameron vai por na boca de seu protagonista do filme Titanic significando o domínio do momento feliz e de profunda liberdade. Ali não foi aquele atleta invicto, perfeito e sem arestas porque isso simplesmente não existe. Entretanto a sua falibilidade pontual não o desqualifica como o maior boxeador de todos os tempos e nem diminui a intensidade de sua aura encantadora. Ali é um espírito que escapa da limitação de seu corpo, consciente da importância de sua postura como lutador dentro do ringue e pessoa indignada contra a discriminação racial ao negro no seu país e no mundo. Realizou lutas memoráveis como as contra Joe Frazier [indo à lona na primeira, perdendo por pontos e vencendo sem retoques a segunda também por pontos] e a The Rumble in the Jungle contra George Foreman no Zaire. ali2Não foi a perfeição de Ali que me apaixonou, mas a sua falibilidade que me fez crer que aquele semideus irmão negro se guiava por motivação apaixonada, legítima e em quem eu queria me inspirar. Ali é um farol a iluminar o meu mar bravio sempre que me encontro numa situação [como atualmente] de profunda [mas espero que passageira] desmotivação para o cinema que tanto amo. E agora mesmo é Ali que me motiva com o bailar das pernas, as caretas e a provocação magicamente infantil às adversidades.

sobre eu, você e todo mundo

29/04/2015

Muitos são os temas que atualmente graçaram no Brasil como estopim de opiniões contrárias. Essas opiniões foram se inflamando e aflorando a real face de cada um, jogando por terra uma ou outra maquiagem psicosocial ou máscara comportamental.
O mote principal é o ódio. Ódio a tudo que o outro represente ou seja de fato, mas principalmente o ódio de classes. Quem tem a hegemonia do poder, da sua ideologia e controle estrutural ruge com impiedosa ira contra os de baixo e os que querem ascender de maneira justa.
O poder exercerá fatalmente seu poder e para isso lança mão de um exército de bajuladores, gente da classe “dos de baixo” e que vendem sua força intelectual de trabalho como obedientes lacaios sempre prontos a servirem de bucha de canhão aos “de cima” na guerra de lama que impõem aos demais.
A reboque desse discurso de ódio segue a população geral, arrebanhada para a degola conceitual via satélite e internet. O cidadão comum, aquele que tem a opinião deformada por uma série de veículos de comunicação [TV, rádio, jornal impresso, revista, blogs, etc] nas mãos de quem secularmente manda e desmanda nos destinos econômicos da nação tem pouca chance de se livrar desse carrocel da mentira.
Cabe a nós, os que se pretendem uma vida sem ódio, trazermos para nosso convívio somente as pessoas que queiram amar tudo e todos com atitudes de compaixão.

sobre relevâncias

24/04/2015

teto1No mar de inutilidade e futilidade apregoada pela mídia de massa brasileira emerge com a retumbante força do que é de fato relevante a campanha da ong TETO, com o objetivo de dar visibilidade para a realidade de extrema pobreza em que vivem milhões de brasileiros.

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Cada um de nós já se deparou com o absurdo de chamadas noticiosas várias sobre fatos que esbanjam nulidade e desnecessidade. A campanha da TETO resignifica essas chamadas colocando-as nas mãos de famílias que, essas sim, enfrentam dramas reais, urgentes e invisíveis.

Saiba mais sobre essa campanha aqui.

Selvagem

23/04/2015

Hoje tive o que penso ser um despertar sobre o termo selvagem. O que é ser selvagem? Bom, selvagem é relativo à selva. O dicionário Priberam diz que é adjetivo e substantivo de dois gêneros e que é “próprio das selvas; que nelas se cria, nelas cresce ou vive.” e ainda que “diz-se do homem ou do povo que vive sem mais noções sociais do que as que o instinto lhe sugere”.

nanaturezaselvagemCreio que seja isso também, mas que primordialmente selvagem é ser primário, puro, como a Terra Sem Males de que falam as nações originárias sulamericanas ou o Éden hebraico. A mim me parece que ser selvagem é ser alguém conectado com a pureza da natureza, comprometida com a sua preservação, com o respeito às individualidades alheias e na perspectiva de relações interhumanas e interplanetária.

Recordo agora do filme Na Natureza Selvagem, que é uma adaptação do livro de não-ficção de mesmo nome de 1996 de Jon Krakauer baseado nas viagens de Christopher McCandless através da América do Norte e sua vida passada no deserto do Alaska no início da década de 1990. Ao terminar a faculdade, Christopher, aos 22 anos, doa todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, muda de identidade e parte em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do cotidiano. Abandona, assim, a próspera casa paterna sem que ninguém saiba e aventura-se na estrada. Perambula por uma boa parte da América [chegando mesmo ao México] de carona, a pé, ou até de canoa, arranjando empregos temporários sempre que o dinheiro faltasse, mas nunca se fixando muito tempo no mesmo. Chris acaba por abandonar o seu carro e queimar todo o dinheiro que levava consigo para se sentir mais livre. Desconfiado das relações humanas e influenciado pelas suas leituras, que incluíam Tolstoi e Thoreau.

Gosto muito da trágica e bela história do Christopher porque também fui irremediavelmente influenciado pela literatura de Tolstoi, Thoreau e por um de seus mais legítimos herdeiros que é o Jack Kerouac [a quem tomo emprestado o título de um de seus livros para batizar esse meu blog]. São autores selvagens, que falam de coisas selvagens para pessoas que buscam o que há de mais puro e verdadeiramente selvagem dentro de si.

Born to be wild, como diria a banda Steppenwolf embalando a Easy Rider de Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson e Christopher McCandless em seu ônibus para as estrelas no Alaska.

trilha do topo da vida Inca

20/04/2015

A tempestade se mostra no horizonte

Em nuvens cinza e furor rotundo

Quebrando a ingenuidade que há no mundo

E cobrindo de sombra as montanhas

As pegadas já se foram pelo tempo

E não há mais vestígio na areia

A brisa que se foi não mais semeia

Deixando apenas silêncio e solidão

Houve banquetes de amores crus

Rumores de estrelas curiosas

Manhãs de fugas misteriosas

que o som da chuva encantou.

picchu

criança lindíssima!

19/04/2015

uma criança da tribo Arbore [Etiópia].

fonte: People of Earth

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Viva o Brasil!

11/03/2015

“A ignorância é uma espécie de bênção.” disse John Lennon. Essa frase é usada por um personagem do filme Matrix [o traíra que vai entregar Morpheu em troca de voltar para a letargia do “mundo ficcional” e por uma vida fácil]. Essa é exatamente a mesma proposição dessas pessoas que insistem em não aceitar as regras do jogo democrático e que se preparam para ocupar as ruas pelo impeachment de Dilma, insatisfeitas com o mundo real e prontas para apunhalar a nação.

odioUsam o jargão do combate à corrupção como lema, atropelando grosseiramente o fato de que é exatamente no governo que tentam usurpar que se tornou possível a investigação livre e que [ao contrário das forças nebulosas que essa turba defende, que descaradamente mantiveram manietadas essas mesmas instituições] possibilitou milhares de “ações” [ao invés de poucas dezenas antes do governo Lula].

Não é por combate à corrupção que espumam, como se sabe, mas por outro motivo muito mais caro a seus brios: o empoderamento dos mais pobres.

Essas pessoas, todas elas, 100%, são contra toda e qualquer política integrativa e de inclusão que foram criadas nos governos Lula/Dilma. Negros, indígenas, agricultores, ciganos e ex-moradores de lixões nas universidades e em cursos antes ocupados pelos filhos das elites econômicas [como medicina, engenharias, direito, etc.]; planos como “Minha Casa, Minha Vida” [e outros planos complementares] que efetivamente tiraram milhões de pessoas do atoleiro sem fim do aluguel e moradia indesejada; Bolsa Família e sua extensa rede de ações complementares que empoderam milhões de pessoas ofertando-lhes dignidade.

Além disso, só a ignorância. Não a ignorância de que fala Lennon, mas a de que fala Aristóteles, a que causa todo o mal pela desconsideração do bem e que se é bom.

Quando se fizer necessário estarei também nas ruas. Não somente para defender um plano de poder diferente dos anteriores e mais inclusivo, mas para defender a democracia que tanto me faz bem.

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